“Precoce” é a palavra que vem na mente quando se trata de descrever o governador Eduardo Leite:

  • Aos 7 anos de idade, já gostava de assistir ao horário eleitoral gratuito;

  • Aos 9, “durante a eleição presidencial de 1994, costumava visitar o comitê da campanha de Fernando Henrique Cardoso”;

  • No Colégio São José, “um dos mais tradicionais da sua cidade” natal (Pelotas-RS), “se destacou como líder de turma e presidente do Grêmio estudantil“;

  • Nem mal completou 16 anos num sábado, corrreu logo para fazer o título de eleitor numa segunda-feira. “No mesmo ano, filiou-se ao PSDB”;

  • Aos 19 anos, “concorreu a vereador em 2004”. Ficou como suplente (acabou empossado depois). Em 2008, aos 23, foi eleito vereador de Pelotas;

    Neste ínterim, assumiu alguns cargos na prefeitura. “(…) líder da bancada do PSDB, presidiu a Câmara Municipal de 2011 a 2013 (em 2010, concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, mas ficou na suplência” — tudo isso antes de completar 25 anos.

  • Aos 27, foi eleito prefeito de Pelotas;

  • E nas eleições de 2018, aos 33 anos de idade, sagrou-se governador do Rio Grande do Sul — na época, o “mais jovem do país e em um dos mais jovens da história gaúcha” — e o primeiro abertamente homossexual (isto num estado culturamente e tradicionalmente tido como machista).

Mas as aspirações políticas falariam mais altas, e “no dia 28 de março de 2022, em entrevista coletiva concedida no Palácio Piratini, Leite anunciou que renunciaria ao cargo de governador para buscar concorrer à presidência da República. Além da saída do cargo, reafirmou sua permanência no PSDB e os diálogos para buscar uma ‘solução nacional’.

Todavia, a candidatura à presidência não se concretizou, motivo por que Leite candidatou-se novamente ao Governo do Rio Grande do Sul” — e ganhou novamente, tornando-se assim o primeiro governador a ser reeleito no estado.

Não satisfeito, ensaia sair candidato a presidente de novo nas eleições do ano que vem.

Político é uma classe que leva muita bordoada — e isto deve doer particularmente nos que levam a sério seu papel. Os pescoços mais tensos de quem este que vos escreve se lembra aqui na clínica pertenciam a um então prefeito e a um deputado federal. Era um pessoal difícil de ajustar. A postura era encurtada. Defensiva, até.

Portanto, não soa como surpresa que, apesar de jovem (mas veterano na vida pública), Eduardo Leite tenha também alguma pendenga na coluna. De fato, é noticiado que “o político (sente) fortes dores há anos provocadas por hérnias de disco”. Não é preciso ser adivinho para deduzir que há um significativo componente muscular causado provavelmente por altas cargas de estresse. Então o governador sofre de dores crônicas na coluna — desde jovem, portanto (a palavra “precoce” não só se aplica na política). Será que num dado momento procurou Quiropraxia?

O Rio Grande do Sul provavelmente tem a maior concentração per capita de Quiropraxistas do Brasil — graças à FEEVALE, que tem consistentemente formado bons profissionais desde 2000. De acordo com o site da Associação Brasileira de Quiropraxia (ABQ), em Pelotas há pelo menos 1. Em Porto Alegre, atual residência do governador, 27. Seria possível que Eduardo Leite tivesse buscado a ajuda de um de nossos colegas? Se houve, não foi noticiado.

Seja lá como for, na sexta-feira, 26 de setembro de 2025, o jovem político (agora filiado ao PSD), “passou por um procedimento médico”: um “bloqueio em duas vértebras da coluna lombar e cervical, para aliviar dores intensas (…). A intervenção ocorreu no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, e durou cerca de três horas”.

O bloqueio consiste na injeção de substâncias (como anestésicos e corticoides) nas áreas de dor — algumas vezes nas facetas, outras vezes ao redor da raiz nervosa. O objetivo é “desinflamar e aliviar a dor (…) durante crises agudas”.

O neurocirurgião Julio Pereira alerta que uma infiltração na coluna não foi projetada para corrigir permanentemente o problema anatômico subjacente, seja uma hérnia de disco ou o desgaste de uma articulação facetária. “Ela funciona como o freio de emergência para a sua dor. Sua função não é consertar o motor, mas impedir que o carro saia descontrolado de um penhasco, dando a você a segurança e a estabilidade para sair e fazer os reparos verdadeiros”.

Sim, de fato, temos que nos atinar que dor aparece por um motivo. Sendo um sistema de alarme, não é lá muito proativo “desligá-lo” e seguir como se nada tivesse acontecido. “Dor lombar é um problema multifatorial e muito comum, afetando grande parte da população adulta, sendo causada por fatores como desgaste, falta de exercício, ou tendência genética.” As dores do governador, por serem crônicas, merecem uma investigação melhor. Até que ponto existe uma causa ou, num dado momento, as dores se retroalimentam e se tornam elas mesmo o problema? Teriam que ser, no mínimo, ouvidas e respeitadas, não teriam?

O Dr. Julio Pereira reitera que a decisão sobre o momento ideal para realizar o tal bloqueio varia de médico para médico. “Alguns preferem esperar e tentar primeiro mudanças de hábito e medicações orais, ressaltando a importância de fisioterapia e reabilitação para o sucesso a longo prazo”. Ou pelo menos dar uma freada na agenda depois do procedimento. Mas o que fez o governador depois de apresentar “melhora no quadro de dor no final da tarde”? Deu no pé.

  • “Embarcou para Buenos Aires.” Na capital argentina, participou naquele mesmo fim de semana da Feira Internacional de Turismo da América Latina, “evento considerado estratégico para a promoção do Rio Grande do Sul no setor”, de acordo com a coluna de Rosane de Oliveira, de GZH.

  • Seguiu depois para Brasília, “onde (marcou) presença na posse do ministro Edson Fachin como presidente do Supremo Tribunal Federal, na segunda-feira (29), às 16h. O convite partiu do próprio magistrado gaúcho, que destacou o desejo de contar com a presença do governador na cerimônia”.

A notícia do bloqueio correu solta na internet. Se alguém clicar “Eduardo Leite” e “coluna” só aparecem notícias relacionadas ao procedimento — que acabou sendo palco de discussões acaloradas nas redes sociais. Alguns fizeram piadinhas homofóbicas quanto à origem das dores de coluna do governador. Outros o criticaram por fazer o procedimento em SP, e não no RS. Outros questionaram ter feito o procedimento particular, e não pelo SUS. Outros acharam um absurdo a facilidade de agendamento — diferentemente da vasta maioria dos gaúchos. Foi um bafafá danado. Mas houve pelo menos 2 comentários pertinentes:

  • No Facebook do Diário de Santa Maria, uma pessoa comentou: “Eu fiz o bloqueio. Bloqueio não é cirurgia. É uma medicação que é aplicada na parte da coluna onde você está sentindo dor. É dado uma anestesia e o medico vai vendo através do Raio X onde tem hérnias e aplica a medicação. Fiquei 4 meses com dor direto, fazendo de tudo. E uma das opções que deu certo foi o bloqueio.”

  • Outro comentário no Facebook da Rádio Guaíba FM relata que “fazer bloqueio de dor na coluna é o maior erro que existe. Não trata a causa da dor, e sim a dor. Ele vai continuar fazer tudo sem dor. Porém, o atrito dos discos vai continuar. O dia que passar o efeito do bloqueio, ele vai estar muito pior.”

A gente entende da importância da agenda de um governador. Há compromissos simplesmente inadiáveis. Mas aí só falta combinar isso com a coluna dele. E para chegar num ponto de ter que fazer não um, mas dois bloqueios na coluna em regiões diferentes, é porque o corpo está tentando expressar algo. É bom investigar ao invés de ignorar.

Com tantos Quiropraxistas no Rio Grande do Sul, seria interessante Eduardo Leite tentar um tratamento conservador. Quando feito direitinho, os resultados podem significar uma mudança drástica e positiva na qualidade de vida. E também proporcionar um fôlego extra para segurar o rojão na disputa das eleições presidenciais. Quem sabe, né?