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— Artigo 17 —

Artigo 17 – Síndrome do Piriforme

Já se vão aí vários anos desde que a revista VEJA (17/11/2004) publicou uma reportagem sobre uma condição chamada de SÍNDROME DO PIRIFORME — também conhecida em alguns círculos profissionais (!) pelo singelo nome de Síndrome do Bumbum Sarado (!!). A matéria afirma que algumas mulheres nas academias, no afã de conquistar um bumbum bem-acabado, acabam por exagerar nos exercícios. Posições esdrúxulas, somadas ao excesso de peso sobre os músculos glúteos, causam uma série de problemas — de uma simples contusão até desgastes e lesões nos quadris, joelhos e coluna.

O piriforme é um desses músculos glúteos, e foi batizado assim por se assemelhar a uma pera. O músculo se origina na face anterior – lateral do sacro, e se insere no trocânter maior do fêmur. O nervo ciático passa rente ao piriforme na incisura ciática maior. Em 12.2% das pessoas, porém, a porção peroneal do nervo ciático passa ATRAVÉS do músculo piriforme. Se, especialmente neste grupo de pessoas, houver uma contração excessiva deste músculo, o nervo ciático pode ser afetado. E imita perfeitamente um quadro de hérnia de disco — com direito aos sintomas clássicos como antalgia, dormências, e teste de Valsava positivo (dores quando faz força para defecar ou tossir), confundindo então o diagnóstico apropriado. Esta similaridades de sintomas pode levar a cirurgias desnecessárias e ineficazes, já que boa parte de nós apresentará algum tipo de transtorno discal num exame de imagens — dores ou não.

A função do piriforme é causar rotação externa do quadril, e o músculo é freqüentemente lesionado na execução deste movimento. Levantar repentinamente após ficar de cócoras por muito tempo pode resultar em falta de coordenação nos movimentos de rotação externa e abdução do quadril. O aumento da lordose lombar pode causar aumento de flexão compensatória, que por sua vez aumentará a rotação externa do quadril, esticando a musculatura responsável.

Às vezes um ato aparentemente sem importância pode lesionar o piriforme. Sentar por muito tempo usando carteira no bolso de trás, por exemplo. Ou ter uma perna congênita ou funcionalmente mais curta do que a outra com pronação excessiva do pé e calcanhar. Ou cair sentado. Ou ter a musculatura glútea contraída, hipertrofiada, ou até espasmódica.

O problema pode até estar relacionado à ciclo menstrual, gravidez, reposição hormonal, uso de anticoncepcionais, arteriosclerose, cicatrizes, injeções e abcessos.

Quem sofre de Síndrome do piriforme sente dor ou dormência no quadril e coxa posterior, irradiando às vezes para a parte posterior e lateral da canela e dorso do pé, podendo até mancar e apresentar postura antálgica de flexão ou flexão lateral quase sempre para o lado envolvido.  Sentar e caminhar tendem a piorar a dor.

Fraqueza muscular é observada durante abdução e rotação externa do quadril (sinal de Pace & Nagle). Movimentos passivos de rotação interna e principalmente externa causarão dor localizada bem abaixo do piriforme.

Em alguns casos mais específicos, podem haver desconforto no períneo, impotência e até dor (dispareunia) durante a relação sexual.

Radiografia, tomografia, ou ressonância magnética darão pouca informação pertinente ao caso. Mas na eletroneuromiografia poderá haver diminuição de condução nervosa no glúteo máximo, musculatura isquiotibial, e nos músculos enervados pelo nervo peroneal.

A enervação do músculo piriforme origina-se das raízes nervosas de L5 e S1 (às vezes S2). Por isso, ajustes  específicos de Quiropraxia na 4º e 5º vértebra lombar, e nas articulações sacro-ilíaca e coxo-femoral são extremamente benéficas. Massagem localizada, tipo trigger points e fisioterapia tradicional ajudam. Cirurgia é quase nunca  recomendada.

Como relata o artigo da VEJA, moderação nos exercícios é fundamental. Também é necessário ser realista e ter limites na busca por aquele glúteo perfeito.

About the Author:

Iury Borges Rocha formou-se Quiropraxista em 1996 pelo Palmer College of Chiropractic, em Davenport, Iowa - EUA. É também bacharel em Ciências pelo Palmer e tem Licenciatura em Comunicações pelo Scott Community College, em Bettendorf, Iowa, EUA. Atende em Ilhéus-BA e região. Atual Diretor Acadêmico e palestrante internacional da FLAQ e do IDQUIRO, já exerceu o cargo de Tesoureiro da ABQ e foi o primeiro Coordenador do programa de Quiropraxia da Feevale. Escreveu cerca de 300 artigos num período de cinco anos sobre diversos assuntos para o hoje extinto jornal Diário de Ilhéus — sempre tendo a coluna vertebral como pano de fundo.

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