Na abertura do clássico Anna Karenina, o célebre escritor russo Liev Tolstói saiu-se com esta frase genial: “toda família feliz é igual, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”. Sim. E em relação à história da família Palmer, nem Shakespeare poderia ter envisionado e escrito esta saga melhor.

Os anos entre 1888 e 1898 foram muito bons para Daniel David Palmer. Sua clínica, baseada em “cura magnética”, estava indo de vento em popa. Agenda cheia, dinheiro entrando e reputação crescendo, este canadense autodidata surfava na proverbial crista da onda — especialmente após uma certa descoberta, depois de atender um certo zelador do seu prédio que havia perdido a audição. 

Os resultados desta tal descoberta foram, de fato, impressionantes. E prósperos também. De uma salinha de atendimento, D.D. Palmer alugou todo um andar superior do Edifício Ryan, onde passou também a morar. Eram 42 salas. Algumas ele sublocava. Outras ele atendia. E outras ele usava para ensinar Quiropraxia a alguns estudantes (um de seus primeiros alunos foi seu filho então menor de idade, Bartlett Joshua — ou B.J.). Até uma espécie de museu foi criado ali para atrair pacientes de longe, “tão a oeste quanto o Missouri e tão a leste quanto Ohio” — além de “móveis sofisticados e caros”. Sua renda anual deu um salto exponencial de mais de 1000% (de US$ 700 em 1887 para US$ 9.276 em 1898, em valores da época).

Este tal museu, de acordo com “diferentes fontes (…), incluía a melhor coleção de cabeças, galhadas e chifres emoldurados dos EUA, avaliada em US$ 5.000” (uma fábula então); uma “extensa coleção de livros raros, incluindo livros de cirurgia médica e ortopédica, que cresceu para 15.000 volumes avaliados em US$ 5.000 em 1906”; e “uma das mais extensas coleções de esqueleto humanos, posteriormente expandida por seu filho e considerada ‘a melhor coleção de colunas humanas existente'”.

Mas os custos, ah, os custos, esses subiam também. A manutenção do museu não era barata. Quando o prédio mudou de dono em 1901, o aluguel começou a aumentar gradativamente, de “US$ 15 por mês (até chegar) até chegar a US$ 2.100”. D.D. comandava um estilo de vida exuberante, que “incluía viagens prolongadas e luxos fora do comum, como uma carruagem conduzida por dois pôneis importados, chamados ‘Nip e Tuck'”. E para dar o tiro de misericórdia nas finanças, gastava horrores em marketing: “anúncios em jornais, revistas autopublicadas e brochuras como ‘The Educator‘ ou ‘The Sick Get Well by Magnetism‘, cartões de visita e a maior placa com letras douradas da cidade, medindo 42 metros e contendo 205 letras douradas, pendurada na fachada do edifício Ryan”.

Resultado: “em junho de 1902”, a dívida já tinha ultrapassado a faixa dos US$ 8.000 — uma verdadeira fortuna na virada do século. O aluguel estava atrasado havia 6 meses, e o Fundador da Quiropraxia devia dinheiro a “parceiros de negócios e pacientes”. Haveria alguma outra causa para tão espetacular queda?

De acordo com B.J., a personalidade do seu pai foi um fator preponderante:

O fato de ter plena consciência do “que descobriu” e ter pleno conhecimento do “seu valor para uma humanidade doente, tornou-o dominador, presunçoso, fanfarrão. Ele se tornou dominante em seus modos. Ele falava, comia, sonhava, bebia com todo mundo o tempo todo, até se tornar um tédio para todos com quem conversava, na rua, em seus escritórios, em qualquer lugar, a qualquer hora, para todos. Embora tenha AUMENTADO o valor profissional, ele DIMINUIU o valor pessoal para aqueles com quem se relacionava. Eventualmente, os negócios decaíram. Em vez de fazer a transição da cura magnética para a Quiropraxia com calma e frieza, ele se tornou autoritário, principalmente com aqueles que não conseguiam e não queriam entender a simplicidade da sua nova ideia”. Ele se tornou um homem bruto e “irritadiço, julgando as pessoas. Gradualmente, os negócios começaram a decair. Ele se endividou”.

Howard Nutting, um empresário contemporâneo de D.D., concorda: “o Dr. (…) Palmer viveu nesta cidade durante anos, trabalhando com ‘cura magnética'” até “por acaso… (tropeçar) no princípio básico da Quiropraxia. Enquanto se ocupava com essa teoria, desenvolvendo novos pensamentos e fatos dia após dia, obteve sucesso financeiro, mas em pouco tempo imaginou ter encontrado a pedra filosofal; tornou-se independente e sarcástico, sentindo-se o descobridor de uma nova ciência que era a única causa conhecida de doenças e, tendo-a desenvolvido até então, aliviando a dor e o sofrimento (em alguns casos, quase milagrosamente), tornou-se satisfeito e negligente” (e estagnado)”. Com isso, “os pacientes que apareciam com afecções com as quais ele não conseguia lidar, e não sendo beneficiados, seu negócio decaiu gradualmente”.

“O historiador Rolf Peters também aponta que os ‘métodos comerciais’ de D.D. deixavam a desejar, portanto (ele) alienava os pacientes (…)”.

Seja lá como for, em junho de 1902, o criador da Quiropraxia e esposa se mandaram de Davenport “sem intenção de retornar” — uma vez que “ele havia vendido tudo o que podia vender para um negociante de artigos usados”. Na época, B.J., um precoce molecote de 19 anos, já atendia em Manistique, Michigan. Seu pai o havia telegrafado para retornar de lá, vender “US$ 200 em coisas” e seguir com eles para a Califórnia.

Há outras teorias quanto ao motivo da saída — de ter ido em busca de um ex-aluno desaparecido a ter fugido da recém-promulgada Lei da Prática Médica que exigia “que todos os praticantes de artes de cura sejam examinados e licenciados por uma junta médica”. Mas o fato foi que este êxodo repentino representou “um dos incidentes mais estranhos e apócrifos da história inicial da Quiropraxia… que mudaria a trajetória da vida de Palmer e o desenvolvimento da” nossa profissão, de acordo com o historiador Simon Senzon.

O jovem B.J. tinha um talento para ganhar dinheiro e estava muito bem em Manistique. De acordo com o próprio, estava “ganhando mais dinheiro do que seu pai ganhava em Davenport”. Declarações de jornais da época diziam que, “embora (…) seja pouco mais que um menino, ele tem a cabeça de um homem sobre os ombros”. Sendo ainda considerado menor de idade, ele obedeceu as ordens do pai para voltar a Davenport — mas não de ir para a Califórnia.

O rapazinho não se fez de rogado e arregaçou as mangas: “assumiu os restos, pegou os destroços e as dívidas… e reconstruiu um negócio sobre as ruínas” — devagar e sempre, através de empréstimos, suas próprias economias, trabalho duro e “diferentes métodos de gerenciamento”. Levou quase 5 anos para recompor as finanças. Mas conseguiu. E até começou a prosperar. “B.J também parece ter renovado o vencimento do contrato do aluguel no Edifício Ryan (…)”, temporariamente de janeiro de 1904 “até janeiro do ano seguinte, quando ele e sua nova noiva, Mabel, mudaram o P.S.C” (Palmer School of Chiropractic).

Após um período trabalhando em Pasadena e Santa Bárbara (e algumas pendengas judiciais), D.D. regressou a Davenport em 30 de abril de 1904. B.J., sem dúvida louco pela aprovação do pai (e “contra o conselho de seus melhores amigos”), recebeu-o de braços abertos — bem a tempo de servir como “uma das testemunhas no casamento (do filho) com Mabel Heath”. No P.S.C, fez com que seu pai “readquirisse metade da participação na” instituição e assumisse o cargo de presidente “enquanto B.J. se tornava secretário”. Além disso, D.D. ministrava as “aulas de Anomalias, Ortopedia Quiroprática e Princípios da Quiropraxia (…)”.

Com dois galos convivendo no mesmo galinheiro, mais cedo ou mais tarde, os bicudos não iam mesmo se beijar, né? Os conflitos começaram e culminaram com a expulsão de D.D. do P.S.C. em 1905. Motivos para isso são especulativos, mas acredita-se houve divergências irreconciliáveis acerca das diferentes visões educacionais, financeiras — e sobre o futuro da profissão. Mas pode bem ter sido também pelo velho e bom ciúme. Deve ter sido difícil uma pessoa ver a sua ideia ser conduzida e aperfeiçoada por outra — especialmente se isso bate de frente com o que aquela pessoa queria que a Quiropraxia se tornasse. Então, como se diz na Bahia, o filho botou o pai pra correr.

“Esta tem sido uma das feridas abertas que me criou muitos inimigos. Transformou meu pai em um inimigo mortal. Dividiu nossa própria família. Criou muitos abismos intransponíveis entre eu e muitos formandos nossos e de outras escolas que (tomaram o lado do) meu pai”, relembrava B.J..

Neste ínterim, D.D. esteve envolvido num embróglio político com o governador de Minnesota; foi indiciado, julgado e condenado por praticar medicina sem licença; passou 23 dias no xilindró; enviuvou e se casou pela 5ª vez.

Logo após a saída da prisão, “B.J. o aceitou novamente na escola”. Talvez o fato de D.D. ter sido a pessoa que havia descoberto a Quiropraxia fizesse com que ele fosse naturalmente conduzido a um cargo de liderança no P.S.C.. Com isso, o Fundador “assumiu sua antiga posição, sociedade e propriedade e deu aulas para suas turmas como de costume, embora esse arranjo não tenha durado muito tempo”. O couro comeu de novo (olhaí outra expressão bahiana…) e desta vez, a sociedade foi desfeita oficialmente. O pai vendeu sua parte para o filho e em maio de 1906 saiu de Davenport rumo à costa do pacífico — com um gosto amargo na boca. De fel.

Apesar de algumas fontes afirmarem que D.D. havia partido de bom grado, o que se observou posteriormente foi o oposto. Em cartas, revistas, livros e palestras, o pai não perdia a chance de esculhambar o filho. O cabo-de-guerra chegou a tal ponto que, de um lado ficava B.J. e o P.S.C. e do outro lado “D.D. e outras instituições que ensinavam Quiropraxia”. Era briga de foice.

“Eu mal imaginava então que B.J. Palmer, meu único filho, se provaria o ladrão furtivo que tentaria se apropriar do crédito da originalidade e desejaria roubar de seu pai a honra que lhe é devida. Eu mal imaginava então que meu único filho bancaria o Judas, me colocaria na prisão, me roubaria financeiramente e o crédito que me é devido,” escreveu D.D. em um dos seus livros. Palavras fortes.

Após partir de Davenport, o Fundador passou os próximos anos pulando de um lugar para outro:

  • Em Medford, Oklahoma, convencido pelo seu irmão T.J., D.D. montou uma mercearia, mas, apesar de prosperar, tocou o negócio por pouco tempo. Entrementes, outras instituições de ensino foram abrindo, como o Carver Chiropractic College e o National College. O P.S.C., por sua vez, crescia em tamanho e número de estudantes.

  • “No final de 1907, D.D. Palmer vendeu sua mercearia e pegou (um dinheiro) emprestado (…) de seu irmão” e se mandou para Oklahoma City. A intenção era “continuar sua carreira em Quiropraxia”. Recusou uma oferta de Carver para ser um dos seus docentes e abriu o Palmer-Gregory College of Chiropractic em sociedade com Alva A. Gregory, um médico e Quiropraxista formado na Carver. A sociedade logo azedou e D.D. saiu de lá. A instituição fechou as portas em 1913. Abriu duas outras instituições em 1908 (a Fountain Head School e a Gorby-Hinkley School), mas aparentemente não foram pra frente.

  • Mudou-se então para Portland, Oregon, em 1908. Lá fundou o D.D. Palmer College of Chiropractic. As coisas azedaram de novo e D.D. de novo se mandou. Ninguém sabe direito o motivo, mas especula-se que houve um quê de financeiro na jogada.

    “Os anos em Portland foram muito produtivos para D.D. em termos de publicação das primeiras versões de suas teorias de Quiropraxia finais. D.D. revisou a noção de que a oclusão foraminal comprime as raízes espinhais e recomendou o uso do termo ‘impacto (impinge)’ em vez de ‘pinça (pinch)'”, uma vez que “‘os nervos não são ‘pinçados nos forames’, mas, em vez disso, ‘são comprimidos (impactados) pela pressão dos ossos deslocados’, uma noção com a qual B.J. concordou trinta anos depois” (curiosamente as duas teorias meio que foram ofuscadas com a descoberta da radiculite química ver Artigo 259).

    Foi lá também que começou a tomar forma a “sua teoria vibracional da condução nervosa” e a “solidificação e elaboração de suas ideias sobre a Inteligência Inata”. D.D. assumiu “uma concepção mais vitalista” tendo definido como função normal o “tônus ​​e a saúde como uma função dos nervos” (para o bem ou para o mal, este paradigma estabeleceu a identidade da Quiropraxia — mas também ajudou “a criar muitas das divisões que assolam a profissão até hoje”).

    Em outubro de 1908, lançou “a revista mensal The Chiropractor Adjuster, um periódico com mais de 60 páginas por edição, descrevendo principalmente sua vida social, viagens e eventos profissionais locais; mas também corrigindo os erros que D.D. encontrou nos escritos de outros Quiropraxistas. A última edição foi publicada em fevereiro de 1910″.

    “Em dezembro de 1910, D.D. publicou e vendeu sua obra-prima, The Chiropractor’s Adjuster: The Science, Art and Philosophy of Chiropractic. Continha cerca de 1.000 páginas com material” (das edições do periódico acima), “diversas cartas e correspondências entre profissionais de saúde e outros Quiropraxistas, além da discussão de muitos tópicos que D.D. considerava relevantes para a Quiropraxia”.

  • Parece que D.D. resolveu engolir o orgulho e voltou brevemente a Davenport em 1911 “buscando um emprego com B.J. na gestão e instrução do P.S.C.”. Mas os dois bicudos novamente não se beijaram. O Fundador tentou uma parceria com “o Universal Chiropractic College; mas isso também não deu certo e (novamente) (…) deixou Davenport”.

  • Regressou então para Santa Bárbara, Califórnia. Foi naquele período que ele aventou a possibilidade “de transformar a Quiropraxia numa religião”. A intenção seria evitar a prisão dos colegas através de “legitimar a prática da Quiropraxia sob as isenções religiosas de vários atos estaduais de prática médica” — ideia essa que inclusive é mencionada no seu livro de 1910.

  • Não demorou muito para D.D. mudar-se para Los Angeles, onde lecionou por um breve período de tempo na então recém-estabelecida Sistema Ratledge de Escolas de Quiropraxia (atual Cleveland University – Kansas Ciry).

6 cidades em 7 anos… Percebem o padrão? D.D. aparentemente não conseguia parar quieto num canto. Era meio cigano. Chegava nos lugares, causava e saía. Mas aí o canto de sereia do P.S.C. falou mais alto e em maio de 1913, ele fez o que seria sua última viagem a Davenport.

Houve mais uma tentativa de conciliação entre pai e filho, mediado por amigos de ambos. B.J. aceitou receber o pai na sua residência. “D.D. concordou em ser o hóspede de B.J. em Davenport. Ele prometeu se comportar e não iniciar nenhuma briga” em troca de B.J. ser “um anfitrião gentil e cortês”.

Foi justamente durante essa visita que a única série de fotos das três gerações da família Palmer (D.D., B.J. e o neto David D. Palmer) foi tirada. Veja uma delas abaixo:

Parece que a reunião havia surtido efeito. D.D. recomeçou então a lecionar no P.S.C., no Universal Chiropractic College (U.C.C.) e no Davenport Chiropractic College (D.C.C.). Mas aí, ao invés de descorrer sobre Quiropraxia, aparentemente o Fundador usava seu tempo para esculhambar e lançar impropérios ao filho e a instituição. Tolerâncias foram testadas ao limite entre os dois bicudos.

E aí veio o fatídico 27 de agosto de 2013. O P.S.C. celebrava seu anual Lyceum (atual Homecoming). Era costume da época realizar um desfile nas ruas. D.D., como Fundador da Quiropraxia, intencionava liderar o desfile, mas os organizadores negaram — visto o clima de animosidade do momento. “Dane-se o corpo docente, eu vou liderar este desfile,” teria retrucado. Até um dado momento, foi exatamente o que ele fez. Mas o carro de B.J. se aproximou e o filho ordenou ao pai que saísse da rua, fosse para o passeio e ficasse por lá. D.D. relatou “mais tarde que B.J. o ameaçou, gritando: ‘Saia da rua, maldito seja, ou eu passo por cima de você!'” A partir daí as versões diferem:

De acordo com o próprio, “D.D. saiu do desfile e foi ao U.C.C. para contar que havia sido atropelado e ferido por B.J.” (mas testemunhas relataram que, algum tempo depois da altercação, o Fundador “estava a três quarteirões de distância e no desfile novamente”). Seja lá como for, o tal incidente foi a julgamento.

Vale ressaltar por aqui que D.D. morria de medo de automóveis e já havia sido atropelado por um em Los Angeles. Acostumado a andar de cavalo, carroça e carruagem, a velocidade do que era novidade na época simplesmente o apavorava. “Toda vez que vou à cidade, os carros estão me caçando e um dia eles podem me atropelar”.

Os promotores basearam o caso em cartas e depoimentos de indivíduos (entre eles T.J. Palmer), que supostamente “viram o acidente ou ouviram alguém que estava lá e viu o que aconteceu”. Mas , “apenas uma pessoa testemunhou ter visto o acidente e esse depoimento não foi corroborado por outras testemunhas”. Os processos (tanto o criminal quanto o cível) foram eventualmente arquivados.  Mas todo este embróglio custou muito dinheiro e “perdurou amargamente” por “mais de três anos”.

B.J. costumava relembrar que outras brigas anteriores entre pai e filho e este agora suposto boato “continuou a ser alimentado, nutrido, fomentado e alimentado por nossos amigos, inimigos e contemporâneos”. Fake news corria solto mesmo naquela época.

“D.D. Palmer e sua esposa retornaram a Los Angeles na noite seguinte ao incidente do desfile” vociferando contra “todas as três escolas e todos os envolvidos por seu tratamento cruel e desumano para comigo”. Dois meses depois estava morto.

Supostamente a sua morte aos 68 anos se deu por intoxicação alimentar através de “um salmão” que havia comido na noite anterior. A causa oficial foi Febre Tifoide —  “uma infeção bacteriana grave causada pela bactéria Salmonella Typhi, transmitida principalmente através da ingestão de água e alimentos contaminados com fezes de pessoas infetadas”. A esposa também adoeceu, mas conseguiu se recuperar.

Porém, uma pesquisa de 1999, publicada no Journal of Chiropractic History por Siordia e Keating lançou algumas dúvidas acerca da causa mortis do Fundador. Os autores se debruçaram nos registros da época e encontraram “várias surpresas e uma série de perguntas sem resposta”:

  • “Por que os médicos que atenderam o Fundador foram persuadidos a mudar de opinião sobre a causa primária da morte?”

  • “Houve uma autópsia particular?”

  • “E quanto ao abscesso relatado no flanco de Palmer?”

  • “Qual o papel da viúva de D.D. na controvérsia do parricídio?”

Provavelmente nunca saberemos por certo o que realmente aconteceu. O P.S.C. evoluiu e se transformou no Palmer College of Chiropractic — graças aos diligentes esforços do neto David D. Palmer, que assumiu as rédeas da instituição após a morte de B.J. em 1961 e conseguiu a tão sonhada acreditação. O neto era bem mais discreto do que o filho. Conseguiu muitas coisas trabalhando silenciosamente nos bastidores. Morreu em 1978. O Palmer College segue como referência mundial da nossa profissão.

Sim, “toda família feliz é igual, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”. Os Palmers não eram exceção (curiosamente, apesar das rusgas entre D.D. e B.J, não se tem notícia de maiores conflitos nas gerações seguintes). E mesmo com todas as imperfeições que perfazem qualquer família, sua importância para a Quiropraxia é indicutível.

Anna Karenina, foi publicado nos Estados Unidos em 1886 — bem na época que D.D. estava se estabelecendo em Davenport. Será que fez parte da famosa biblioteca do Fundador? Teria tido ele oportunidade de ler?

Em tempo: este artigo foi baseado, por sua vez, por outro artigo publicado no Journal of Chiropractic History, volume 37, nº 2 (verão de 1987), The Last Ten Years of D.D. Palmer, “As I See It”, de Joaquin Valdivia Tor, DC — que favorece amplamente o ponto-de-vista de B.J.. Este que vos escreve tentou limpar a parcialidade e oferecer aos diletos leitores uma versão mais independente. Espera ter conseguido — ressaltando que esta narrativa é resumida e simplificada (e história, como vista no Artigo 275, mais do que uma linha reta, é sinuosa, cheia de curvas, com falhas e imperfeições…).