A Coluna da Coluna

— Artigo 35 —

Artigo 35 – Pisando em Falso

By |2021-01-13T17:54:15+00:0013/01/2021|Categories: Coluna da Coluna, Coluna no dia-a-dia, Ergonomia, Esporte, Quiropraxia|

Corria o longínquo ano de 2010 quando Geoff McLaren, um australiano na época com 62 anos, perdeu o polegar esquerdo enquanto trabalhava. Sem ele, o velho McLaren jamais seria o mesmo.

Este dígito tem, para nós, uma particularidade. É ele o que nos separa dos animais, incluindo os primatas. O complexo uso do polegar foi um diferencial humano para fabricar ferramentas e ajudar a desenvolver nossa espécie.

Parece até uma chamada das “Organizações Tabajara” do eterno Casseta & Planeta, mas os cirurgiões do Hospital de Sydney encontraram a perfeita solução: uma operação complexa de 11 horas para amputar, transferir e conectar na mão esquerda de Geoff McLaren o seu próprio DEDÃO DO PÉ! Dá até para ouvir o bordão “seus problemas acabaram!”. Não dá?

O Dr. Tim Heath, diretor do hospital e médico responsável pelo procedimento, afirmou que levaria pelo menos 12 meses para a mão do paciente funcionar normalmente. O dedão “deverá desinchar e parecer mais com um polegar”, completa. Este tipo de cirurgia tem sido feito no mundo inteiro desde 1975.

Entre recuperar parte dos movimentos da mão desta maneira, e ficar pisando em falso por toda a vida, preferimos, com certeza, a primeira opção. McLaren resolveu um problema maior, mas ficou com um menor: seu ciclo da marcha ficará para sempre descaracterizado. Trocando em miúdos: ele nunca mais caminhará da mesma maneira.

Caminhar é o que a gente mais faz. É simples, barato, e faz bem à saúde. Mas caminhar corretamente é uma arte — e também é um ato tão corriqueiro que a gente nem nota. Por isso, desenvolvemos certos hábitos que nos passam despercebidos.  Pisadas incorretas podem gerar dores no tornozelo, joelho, quadril, e, principalmente, na coluna vertebral. Helder Montenegro, fisioterapeuta osteopata e fundador do Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral, afirma que “a orientação de um especialista é fundamental para evitar possíveis problemas futuros como, por exemplo, uma hérnia de disco”.

E como se pisa corretamente? Antes, temos que entender como funciona a marcha – terminologia usada para descrever a locomoção humana. “É uma sequência repetitiva de movimentos dos membros inferiores que move o corpo para frente enquanto simultaneamente mantém a estabilidade no apoio. Na marcha um membro atua como um suporte móvel, em contato com o solo enquanto o membro contralateral avança no ar. O conjunto de movimentos corporais se repete de forma cíclica e os membros invertem seu papel a cada passo” (Perry, 1992). Em suma, marcha é a maneira como a gente caminha.

Esta fase de apoio, enquanto o pé toca no chão, engloba 60% da marcha.

  • Primeiro, a parte lateral do calcanhar atinge o solo;

  • segundo, o pé fica totalmente em contato com o chão;

  • terceiro, ocorre elevação do calcanhar;

  • e quarto, o dedão impulsiona o pé do solo.

    Aí, a marcha entra na fase de balanço (os outros 40%): a perna acelera até o meio da oscilação e desacelera até a próxima pisada.

Sacaram o que aconteceria com o senhor do 1° parágrafo? Por não conseguir impulsionar o dedão na fase final do apoio, este sujeito teria sua marcha irremediavelmente alterada. E isto, em tese, poderia dar vazão a um possível problema de coluna. Mas ainda assim Geoff McLaren ficou no lucro.

Caminhar é excelente para a coluna vertebral, mas quando feita corretamente. Não raramente, ocorrem alterações na pisada. Por exemplo, “a pronada é a utilização em excesso da lateral interna do pé e a supinada, a lateral externa”, explica Montenegro. “Ressaltamos a importância de uma boa orientação antes de praticar qualquer exercício”, conclui. O baropodômetro é um aparelho que analisa estas pisadas incorretas. Trata-se de uma plataforma “equipada com milhares de sensores que captam e interpretam os pontos de pressão dos pés”, atesta.

É necessário usar tênis apropriados, evitar exceder os limites de cada pessoa, e se preparar fisicamente para tal empreendimento. Sentir dores durante e após esta atividade é inaceitável. Um bom programa de alongamento e fortalecimento muscular feito com fisioterapia ou com Pilates, bem como manipulação vertebral com Quiropraxia, pode evitar muitas dores de cabeça. Ou melhor, de coluna!

About the Author:

Iury Borges Rocha formou-se Quiropraxista em 1996 pelo Palmer College of Chiropractic, em Davenport, Iowa - EUA. É também bacharel em Ciências pelo Palmer e tem Licenciatura em Comunicações pelo Scott Community College, em Bettendorf, Iowa, EUA. Atende em Ilhéus-BA e região. Atual Diretor Acadêmico e palestrante internacional da FLAQ e do IDQUIRO, já exerceu o cargo de Tesoureiro da ABQ e foi o primeiro Coordenador do programa de Quiropraxia da Feevale. Escreveu cerca de 300 artigos num período de cinco anos sobre diversos assuntos para o hoje extinto jornal Diário de Ilhéus — sempre tendo a coluna vertebral como pano de fundo.

Próximos Cursos

Não há eventos se aproximando neste momento.

Contatos

SGAS 910, Conj. B, Bloco A, Sala 13, Ed. Mix Park Sul, Asa Sul, Brasília, DF, 70390-100

Phone: +55 (73) 3231-5928

Web: www.idquiro.com