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— Artigo 21 —

Artigo 21 – O Magnífico Nervo Mediano e a Famigerada Síndrome do Túnel do Carpo

As raízes nervosas que saem dos forames intervertebrais da 5ª vértebra cervical até a 1ª vértebra torácica formam o plexo braquial. Este emaranhado de nervos localiza-se entre o pescoço e a axila e tem como função comandar os movimentos dos membros superiores e assegurar inervação sensitiva dos mesmos.

Do plexo braquial originam-se três nervos principais: radial, ulnar e mediano. Este último é o segundo maior do plexo braquial. Só perde para o nervo radial.

O nervo mediano entra no braço medialmente e bem no lado lateral da artéria braquial. Percorre assim toda a diáfise do úmero. Logo antes do cotovelo, atravessa para o meio, ganha a parte volar do antebraço até chegar ao pulso. A partir daí, é preciso passar debaixo do retináculo dos flexores — uma espécie de faixa fibrosa.

Também conhecido como ligamento transverso carpal, o retináculo compõe o teto do túnel do carpo (os ossos hamato, capitato, trapézio e trapezóide formam a base). Além disso, o retináculo adere aos ossos pisiforme, hamato, navicular e trapézio. Esta informaçãozinha terá grande significado para entender a mecânica da Síndrome do Túnel do Carpo, que veremos adiante.

Por este túnel, passam nove tendões responsáveis pela flexão dos dedos e mais o nervo mediano. Este último divide-se então em ramos superficiais e profundos que terminam nas pontas dos dígitos, exceto pelo mindinho.

O nervo mediano é o grande flexor do antebraço, além de inervar também quase todos os flexores profundos das mãos e dedos (exceto pelo flexor ulnar do carpo e o aspecto medial do flexor digital profundo, comandados pelo nervo ulnar). É responsável também pela musculatura pronadora do antebraço e abdutora do polegar.

A abdução do polegar foi imprescindível para manusearmos ferramentas. Portanto, a evolução humana deve muito ao mediano. Não é à toa que danos neste nervo causam uma deformidade conhecida como “mão de macaco” — a pessoa não consegue mover direito o polegar.

O mediano também supre os vasos sanguíneos da mão e a sensibilidade dos ¾ laterais da superfície da palma da mão, incluindo aí a pele dorsal e a fáscia das falanges distais e unhas, e todos os polegares, indicadores, médios e a face interna dos anelares.

O dedo mindinho e o restante do anelar são de responsabilidade do nervo ulnar.

Se houver ruptura do nervo mediano ao nível do cotovelo ou braço, pode gerar uma condição em que a mão assume uma posição como se fosse dar a bênção. Mas o problema de longe mais comum é a compressão que ocorre no canal do carpo.

Esta Síndrome do Túnel do Carpo é a mais comum neuropatia da mão. Atinge mais mulheres do que homens. A faixa etária preferida é entre 40 e 60 anos de idade. Tipicamente a mão atingida é a dominante, mas não é incomum as duas desenvolverem o problema. Os sintomas são dormência e formigamento na mão, sobretudo no dedo indicador, anelar e médio. A pessoa sente mais no período noturno e sente dificuldade de agarrar um objeto. Pode até sentir choques e evoluir para todo o membro superior.

Alguns fatores podem contribuir para seu surgimento, como trauma (fratura de Colles), gravidez, diabetes, obesidade, doença renal, artrite reumática, osteoartrose, etc.

Síndrome do Túnel do Carpo é uma das manifestações da Lesão por Esforço Repetitivo (Ler/DORT). Qualquer mecânico, carpinteiro, açougueiro, digitador, caixa, motorista, escritor, costureiro, músico, atleta (ciclista, ginasta e levantador de peso), massagista, secretária, fisioterapeuta e até Quiropraxista pode ser afetado por este mal.

Diagnostica-se por eletroneuromiografia e por teste ortopédico (Phalen e Tinel). Fisioterapia, reabilitação, alongamento e mudanças na dieta (menos nicotina e mais vitamina B) são grandes ferramentas para reduzir os incômodos desta doença.

Qualquer disfunção biomecânica dos ossos carpais descritos acima pode afetar ainda mais o nervo mediano. Neste caso, manipulação específica (Quiropraxia) nestes ossos e, seguindo o percurso do nervo, no cotovelo, ombro e pescoço, pode surtir uma diferença tremenda no tratamento da Síndrome do Túnel do Carpo. A recuperação tende a ser mais rápida e os resultados, mais duradouros.

Mas, frise-se, o tratamento multidisciplinar é bem mais eficaz. A união faz a força (neste caso, melhor dizendo, a união devolve a força).

About the Author:

Iury Borges Rocha formou-se Quiropraxista em 1996 pelo Palmer College of Chiropractic, em Davenport, Iowa - EUA. É também bacharel em Ciências pelo Palmer e tem Licenciatura em Comunicações pelo Scott Community College, em Bettendorf, Iowa, EUA. Atende em Ilhéus-BA e região. Atual Diretor Acadêmico e palestrante internacional da FLAQ e do IDQUIRO, já exerceu o cargo de Tesoureiro da ABQ e foi o primeiro Coordenador do programa de Quiropraxia da Feevale. Escreveu cerca de 300 artigos num período de cinco anos sobre diversos assuntos para o hoje extinto jornal Diário de Ilhéus — sempre tendo a coluna vertebral como pano de fundo.

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